Marcas admitem preocupação com caso Neymar

Ao invés de gols e grandes jogadas, Neymar novamente ganha a manchete dos jornais por polêmicas fora de campo. O jogador é acusado de estupro e investigado por crime de informática, após expor fotos íntimas e um diálogo com a mulher que o acusou na justiça. Além da atenção da imprensa e do público em geral, o episódio passou a ser tornar um ponto de atenção para as marcas que mantém vínculo com o atleta.

Alguns patrocinadores do atacante já se posicionam mostrando preocupação com o desenrolar da história. “Nós estamos cientes e preocupados com as sérias alegações. Continuaremos acompanhando a situação”, afirmou a Mastercard, por meio de comunicado. O posicionamento da Nike, não foi muito diferente. “Estamos profundamente preocupados com essas acusações e seguimos acompanhando de perto a situação”, diz a nota da fabricante de material esportivo.

A mesma cautela mostrada pelas marcas está presente no discurso dos especialistas em marketing esportivo. Para Fabio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports & Marketing, é necessário aguardar o desfecho do caso. “É preciso evitar o exercício da futurologia, mas é fato que mais uma vez o nome do Neymar está atrelado com algo que não agrega nada de positivo para a sua marca. É indiscutível que ele é fora de série dentro de campo e que ele encanta os torcedores, o que agora se questiona é o quanto ele poderia preservar a sua imagem fora dos gramados”, afirma o especialista.

Independentemente do andamento jurídico desse caso, na visão de Anderson Gurgel, professor de marketing esportivo do Mackenzie e autor do livro Futebol S/A, há um desgaste na imagem do jogador que se acentuou nos últimos anos. “Pelo tamanho de sua exposição pública e as coisas que já realizou em campo, Neymar tem um capital de imagem a ser gasto. O problema é que esse capital está sendo gasto de uma maneira muito rápida. Esse impacto em sua imagem já vem de alguns outros casos recentes”, ressalta.

Em abril deste ano, Neymar agrediu um torcedor durante a final da Copa da França. Além disso, pelo fracasso da seleção brasileira e as acusações de simular faltas em campo, o atleta também virou motivo para memes e piadas durante a Copa do Mundo de 2018. As críticas foram tão pesadas que, por meio de um comercial da Gillette, logo após a competição, o atacante fez um mea culpa de suas atitudes. O próprio filme, em si, deu vazão a novas discussões sobre a gestão de imagem do atleta.

Embora não tenha dado informações de data por questões contratuais e de confidencialidade, depois da Copa do Mundo e antes das polêmicas atuais, a Gillette não renovou seu contrato de patrocínio com o atacante, vínculo que durou quatro anos. Apesar disso, o logo da empresa continua no site oficial do jogador.

Para Wolff, o que se pode tirar de positivo da história, até agora, é o posicionamento rápido dos patrocinadores de Neymar. “Há alguns anos, muitas empresas ficavam em silêncio em casos como esse. Hoje, no entanto, as marcas se sentem pressionadas pelo público para se movimentar e sair de sua zona de conforto. Vejo com bons olhos essas companhias que se posicionam, sobretudo em situações que impactam em seus valores e seu alinhamento estratégico”, analisa.

Gurgel pontua que, embora seja necessário tomar cuidado com a abordagem precipitada do assunto, que a todo momento ganha novos detalhes e informações, é possível dizer que a abordagem inicial de Neymar, com um vídeo em seu Instagram, não melhorou muito a situação do atleta em termos de imagem. “A defesa se deu de uma forma atabalhoada e criou outros problemas jurídicos (como a investigação sobre crime de informática). Um atleta do tamanho do Neymar não deveria se expor tanto e expor tanto os outros. A resposta deveria conter mais ponderação e profissionalismo”, avalia.

O especialista em marketing esportivo também afirma que, embora complexa, a situação não é inédita, citando polêmicas envolvendo grandes atletas como Tiger Woods e Ronaldo, por exemplo. Ele lembra também que é um cenário difícil para o jogador, uma vez que as marcas nunca estiveram tão preocupadas com a imagem pública. “Vale lembrar que as grandes marcas globais têm mecanismos de segurança e medidas de proteção em casos de patrocínio ou mesmo de parceria. Em contextos extremos, as empresas não estão hesitando em acionar essas cláusulas”, finaliza.

 Fonte: Meio & Mensagem

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