Apple e Twitter deverão revelar usuários que vendem elogios a candidatos

Rede de usuários divulgava mensagens positivas no Twitter sobre candidatos do PT e PR nas eleições 2018

Nos últimos dias, foi exposta uma rede de usuários que divulgava mensagens positivas no Twitter sobre candidatos do PT e PR, sem revelar que eram pagos por isso — o que viola a lei eleitoral. A PRE-MG (Procuradoria Regional Eleitoral de Minas Gerais) quer a ajuda da Apple para investigar o caso.

Bruno Nominato de Oliveira, procurador regional eleitoral auxiliar de MG, pediu nesta terça-feira (28) que a Apple revele todos os usuários que baixaram os aplicativos O Brasil Feliz de Novo e Follow Now. Ela tem 48 horas para responder.

Os dois apps eram usados para recrutar e coordenar elogios a candidatos do PT e PR no Twitter. A rede social, por sua vez, deverá informar os dados cadastrais dos usuários @pppholanda, @delucca, @choracuica, @cadefeminista, @joycelular e @AgenciaLajoy.

Por fim, o procurador solicitou a quebra do sigilo fiscal de seis empresas envolvidas no esquema. Isso inclui a Agência LaJoy, de Joyce Falete; Fórmula e Follow, que pertencem ao deputado petista Miguel Corrêa; e três outras empresas de parceiros de Corrêa.

Esquema de elogios coordenados no Twitter:

Na noite de sábado (25), a jornalista e militante Paula Holanda (@pppholanda) revelou o esquema. A agência de publicidade LaJoy — sem CNPJ nem endereço — prometia a partir de R$ 500 por mês para tweets positivos sobre candidatos do PT. Ela foi subcontratada pela Be Connected.

A ação era bastante coordenada. No dia 23, diversos perfis tuitaram seu apoio à petista Gleisi Hoffmann, candidata a deputada federal. No dia 24, o assunto era Luiz Marinho, candidato a governador de SP. No dia 25, a bola da vez era Wellington Dias, governador candidato à reeleição no Piauí.

 

Isso causou estranheza. Vários perfis eram de São Paulo, mas todos resolveram elogiar um candidato do Piauí ao mesmo tempo, sem motivo aparente. Paula Holanda divulgou um briefing recebido por e-mail, dizendo que “a intenção da pauta de hoje é divulgar e enaltecer a trajetória e as ações de Wellington Dias”.

TSE proíbe propaganda paga em redes sociais

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) proíbe propaganda paga nas redes sociais para a campanha de 2018, exceto se for impulsionamento “identificado de forma inequívoca como tal”. A multa de até R$ 30 mil. O Twitter não está impulsionando posts nas eleições deste ano no Brasil.

Dias afirma ao Globo que os tweets pagos foram “uma estratégia de uma moçada lá da direção nacional”, diz que “nada disso foi feito por aqui”, e reconhece que “a compra de impulsionamento é contra a lei”.

Os aplicativos Follow Now e Brasil Feliz de Novo foram usados para promover ao menos 12 candidatos nestas eleições. Ao Globo, eles negam ter pago pela publicidade.

São eles:

  • o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso em Curitiba;
  • Lindbergh Farias (PT), candidato ao Senado pelo RJ;
  • Fernando Pimentel (PT), candidato ao governo de MG;
  • Wellington Dias (PT), candidato à reeleição como governador de PI;
  • Luiz Marinho (PT), candidato ao governo de SP;
  • Márcia Tiburi (PT), candidata ao governo do RJ;
  • Décio Lima (PT), candidato ao governo de SC;
  • Tiririca (PR), candidato a deputado federal por SP;
  • Gleisi Hoffmann (PT), candidata a deputada federal pelo PR;
  • Kátia Sastre (PR), candidata a deputada federal por SP;
  • Andréia Gonçalves (PR), candidata a deputada federal por SP;
  • Luciana Costa (PR), candidata a deputada federal por SP.

O aplicativo O Brasil Feliz de Novo também está disponível na Play Store, mas o Google não entrou no pedido da PRE-MG.

 

Fonte: Tecnoblog

Entenda o que pode e o que é proibido nas redes sociais na eleição

Postagens pagas por candidatos são permitidas e uso de robôs é vetado

A eleição de 2018 será a primeira com uma legislação específica que prevê o que os candidatos podem fazer e o que ilegal fazer nas redes sociais. O uso do Facebook, Twitter, Instagram e outras redes sociais são permitidos nas campanhas. Há, porém, limitações de práticas. O candidato pode, por exemplo, pagar para aumentar o alcance de postagens.

É ilegal, porém, que um eleitor financie diretamente essas postagens. Elas só podem ser pagas pela candidatura e precisa estar registradas em prestações de contas.

Veja o que é permitido e o que é proibido nas redes sociais:

  • Candidaturas podem pagar para aumentar alcance de postagens nas redes sociais?

Sim, as candidaturas podem patrocinar e aumentar o alcance de publicações pagando para empresas de redes sociais, casos de Facebook, Twitter e Instagram. Com isso, conseguem atingir mais internautas. Por exemplo: um post sem pagamento alcança um percentual de usuários que varia e é determinado pelo Facebook. Se um candidato paga para impulsionar a publicação, a rede social amplifica esse alcance e o conteúdo é exibido para mais pessoas. Esse pagamento precisa ser declarado na prestação de contas da campanha. A rede social informa aos usuários que o post é patrocinado.

  • Pessoas físicas, eleitores de um determinado candidato, podem pagar para impulsionar publicações dele nas redes sociais?

Não, apenas as campanhas estão liberadas para pagar às redes sociais. Um eleitor não pode financiar uma postagem de um candidato para que ela tenha maior alcance. Isso configura crime eleitoral e pode ser punido com multa no valor “de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a R$ 30.000,00 (trinta mil reais) ou em valor equivalente ao dobro da quantia despendida”, segundo a lei nº 13.488, de 2017, que inclui e alterou alguns pontos da lei eleitoral vigente.

  • Candidatos podem pagar a usuários com muitos seguidores para eles postarem comentários elogiosos? 

Não, isso é considerado crime eleitoral e passível de punição e multa de “de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a R$ 30.000,00 (trinta mil reais)” e processo criminal e civil, dependendo do caso, segundo o TSE. “É vedada a veiculação de qualquer tipo de propaganda eleitoral paga na internet, excetuado o impulsionamento de conteúdos”, diz o artigo 57 da lei nº 13.488.

  • Campanhas podem usar robôs para aumentar a influência de postagens nas redes sociais?

Não, é proibido o uso de perfis falsos e robôs, programas que replicam postagens e controlam contas e imitam o comportamento de usuários nas redes sociais para influenciar assuntos mais comentados e buscas. Segundo pesquisa da FGV, 10% das interações no Twitter, relacionadas com as eleições presidenciais de 2014 foram realizadas por contas vinculadas a robôs.

 

Fonte: Folha

Facebook vai marcar anúncios políticos e indicar quem pagou por eles

Campanhas com fins eleitorais serão marcadas como “Propaganda Eleitoral” no Facebook e exibirão CPF ou CNPJ do responsável

Com a proximidade das eleições no Brasil, o Facebook vem adotando medidas para tratar com mais transparência as campanhas políticas divulgadas na rede social. Nesta quinta-feira (9), a companhia anunciou uma delas: vai marcar conteúdo político patrocinado e indicar quem está pagando por ele.

Mais precisamente, os anúncios com temática política deverão ter uma marcação na parte superior com os dizeres “Pago por” seguido do nome da entidade ou pessoa física responsável por promover aquele conteúdo na rede social.

 

Tem mais: se os anúncios forem marcados especificamente como eleitorais — fazem campanha direta para um candidato, por exemplo —, eles receberão a identificação “Propaganda Eleitoral”. O CPF ou CNPJ do responsável por promover anúncios desse tipo será informado junto à marcação.

Para veicular anúncios eleitorais na rede social, partidos políticos e candidatos deverão se registrar no Facebook e submeter documentos como número de CPF / CNPJ e comprovante de endereço para validação cadastral. Somente depois disso é que as campanhas serão liberadas.

Os anúncios autorizados começarão a ser veiculados em 16 de agosto. O Facebook disponibilizou esta página para registro e mais informações. A companhia também promete liberar uma “biblioteca de anúncios” que indicará gastos aproximados com propagandas eleitorais, o público-alvo destas e outras informações relacionadas.

De acordo com o Facebook, o Brasil é o segundo país em que a rede social passa a sinalizar anúncios com fins políticos. O principal objetivo com as medidas de transparência é tornar o serviço um ambiente menos tóxico, por assim dizer, durante o período de campanha eleitoral.

Mas não é só por isso que as medidas foram criadas: elas estão conciliadas com um conjunto de regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Presumivelmente, as medidas também deverão ajudar o Facebook a evitar escândalos similares ao da Cambridge Analytica.

Vale relembrar que combater fake news faz parte desses esforços. Recentemente, o Facebook removeu da rede social 196 páginas e 87 perfis brasileiros acusados de disseminar notícias falsas.

Fonte: Tecnoblog