Em carta à Rosa Weber, IT&E cobra combate a fake news

Instituto Tecnologia e Equidade destaca a importância da alfabetização digital da população, além de montar uma espécie de sala de monitoramento de redes sociais para as próximas eleições.

As fake news assumiram boa parte das discussões durante as Eleições deste ano. Para muitos especialistas, as notícias falsas – que geram desinformação em massa – influenciaram os resultados nas urnas. Diferentes pesquisas também apontaram que os brasileiros não sabiam discernir o que era verdade e o que era mentira do conteúdo que recebiam em apps como o WhatsApp. Pesquisa do INCT (Instituto da Democracia e da Democratização da Comunicação) relatou que 68,3% da população brasileira não desconfia de nada daquilo que recebe como noticioso.

Entretanto, em entrevista após o resultado do segundo turno das eleições 2018, a presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Rosa Weber, afirmou que o órgão saiu vencedor no combate às notícias falsas, que estiveram em destaque ao longo dos últimos meses no processo eleitoral. O Instituto Tecnologia e Equidade parece não concordar. Nessa segunda-feira (5), o Instituto encaminhou uma carta endereçada a ministra com recomendações para o combate às fake news para as próximas eleições, pois “acreditamos que as atuais ficarão marcadas na nossa história como as eleições da polarização”, assina a entidade em comunicado compartilhado com a imprensa.

Entre as recomendações, o Instituto destaca a importância da alfabetização digital da população como parte central para a diversidade do debate democrático, além de montar uma espécie de sala de monitoramento de redes sociais, plataformas digitais, agências de checagem de fatos, partidos políticos, empresas de mídia, mediadores e observadores.

No texto abaixo, você pode conferir a carta do IT&E na íntegra e as recomendações:

Excelentíssima Ministra Rosa Weber,

Viemos por meio desta carta, oferecer ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) recomendações para as próximas eleições no Brasil, pois acreditamos que as atuais ficarão marcadas na nossa história como as eleições da polarização, do discurso de ódio e da desinformação. Cremos também que é possível evitar essa situação nas próximas campanhas.

Combater a desinformação é possível e necessário para garantir um processo democrático transparente, ético e equilibrado. Isso requer conhecimento em relação à dinâmica do Sistema Propaganda Eleitoral na Internet, seus estoques (conjuntos que podem ser medidos), processos, atores e ciclos de feedback, como pode ser visto no Mapa abaixo. Com um pouco de atenção, ele se mostra compreensível para qualquer pessoa. O conteúdo faz parte do White Paper “Recomendações sistêmicas para combater a desinformação nas eleições do Brasil”. O documento foi lançado em julho pelo IT&E (Instituto Tecnologia e Equidade).

Nós, do Instituto Tecnologia e Equidade, apresentamos, abaixo, três caminhos de ação concretos para o TSE agir. Esperamos que sejam considerados e implementados até as próximas eleições municipais em 2020″.

Alfabetização Digital, Midiática e Informacional para a população brasileira: o TSE deveria oferecer conteúdos regulares em Rádio, TV, Redes Sociais, Escolas, WhatsApp, entre outros tipos de plataformas de informação, sobre como evitar a polarização radical e o discurso de ódio, fomentar os valores democráticos; ensinar como fazer checagem de fatos, como não ser manipulado por conteúdos digitais, etc. Durante o período eleitoral, esse conteúdo deveria ocupar parcela considerável do tempo eleitoral gratuito.

A mini-reforma eleitoral passou o tempo de campanha de 90 para 45 dias. Portanto, é de suma importância exigir que as Plataformas Digitais, meses antes das eleições, façam e divulguem relatórios semanais de movimentos anormais de criação de grupos de compartilhamento de mensagens, de movimentos de spam, uso de robôs e demais mecanismos que indiquem uso indevido das tecnologias para amplificação de conteúdos para além do uso natural, individual e pessoal das redes sociais. Em caso de suspeitas, solicitar que as plataformas expliquem a natureza desses movimentos ou em caso de desconhecimento ou possibilidade de alto risco de serem grupos criados para manipular o processo eleitoral, que apliquem as suas Políticas de Comunidade com rigor e suspendam contas e grupos de modo a proteger o processo democrático de forma preventiva;

Montar uma Sala de Monitoramento (Sala de Crise) com atores qualificados em monitoramento de redes sociais, plataformas digitais, agências de checagem de fatos, partidos políticos, empresas de mídia, mediadores e observadores. O objetivo é que ela contribua para monitorar, em tempo real, os processos mais virais que ocorrem durante o período da propaganda. A partir dela, tomar rápidas decisões para antecipar processos desinformativos com tendências de viralização. Essas manadas de desinformação seriam rapidamente desarticuladas, com consequências punitivas diretas aos seus autores, incluindo candidaturas, que podem ser responsabilizadas por ações de seus militantes.

No mundo virtual, tudo ocorre na velocidade da luz. Se a Justiça Eleitoral não se atualizar em suas práticas, continuará achando que esse é um problema sem solução e continuará se eximindo de suas responsabilidades como ator mais importante em todo processo eleitoral.

Constatamos, em grande medida, a hipótese que motivou e deu origem aos projetos que desenvolvemos no IT&E neste ano de eleições: “o uso da tecnologia terá um impacto maior do que os recursos financeiros no resultado eleitoral”.

O uso da nossa metodologia, com base no pensamento sistêmico, tem sido uma ferramenta essencial na análise, no entendimento e na atuação estratégica em projetos para diminuir o impacto da desinformação nas eleições 2018 e procurar caminhos para fazer frente ao principal problema enfrentado pelas autoridades eleitorais. Oferecemos esta experiência, metodologia e aprendizados para o TSE.

Trata-se de um desequilíbrio no sistema eleitoral que impacta todos os atores que participam do processo democrático. Obviamente trata-se de um problema que atinge todos os partidos de alguma ou outra forma e o principal impactado é o eleitor.

Não seremos capazes de enfrentar esse processo de desinformação – que lamentavelmente tem desequilibrado o jogo democrático – sem ações articuladas, colaborativas, estruturadas fortes e corajosas.

Fonte: idgnow

Os 10 vídeos mais vistos no YouTube de todos os tempos

A Google lançou recentemente o YouTube Music e isso faz sentido porque, de fato, o YouTube é uma das maiores plataformas de streaming de música do mundo hoje. Prova disso são os números astronômicos de visualizações em vídeos musicais, especialmente naqueles que dominam o top 10 dos vídeos mais vistos de todos os tempos na plataforma.

Confira a lista completa:

10. “Roar”, Katy Perry

Publicado em 5 de setembro de 2013, o clipe de “Roar”, da Katy Perry, já acumulou mais de 2,65 bilhões de visualizações em pouco mais de cinco anos no ar.

9. “Shake It Off”, Taylor Swift

O clipe de “Shaket It Off”, da Taylor Swift, foi ao ar em 18 agosto de 2014 e acumula, atualmente, mais de 2,66 bilhões de visualizações.

8. “Sugar”, Maroon 5

Disponível desde 14 de janeiro de 2015 no YouTube, o clipe de “Sugar”, do Maroon 5, ultrapassou a marca de 2,78 bilhões de visualizações.

7. “Sorry”, Justin Biber

Biber é dono de alguns dos vídeos com maior audiência do YouTube e o mais popular deles é o clipe de “Sorry”, com 3,02 bilhões de acessos desde 22 de outubro de 2015.

6. “Gangnam Style”, Psy

Primeiro a passar da casa de 1 bilhão de visualizações na história, o clipe de “Gangnam Style”, do Psy, continua bem posicionado com mais de 3,23 bilhões de acessos desde 15 de julho de 2012.

5. “Masha and the Bear: Receita para o desastre”, Get Movies

A animação russa “Masha and the Bear” é o único vídeo não musical no top 10 do YouTube. No ar desde 31 de janeiro de 2012, ela já tem mais de 3,3 bilhões de visualizações.

4. “Uptown Funk”, Mark Ronson e Bruno Mars

O clipe de “Uptown Funk”, de Mark Ronson e Bruno Mars, é um daqueles que você bate o olho e sabe do que se trata: também pudera, ele também já passou de 3,3 bilhões de acessos desde 19 de novembro de 2014.

3. “See You Again”, Wiz Khalifa e Charlie Puth

O clipe da emocionante “See You Again”, de Wiz Khalifa e Charlie Puth, que faz parte da trilha sonora do filme “Velozes & Furiosos 7”, já foi o mais visto de todos no YouTube. Agora, porém, ele está na terceira posição com mais de 3,83 bilhões de vezes desde o seu lançamento, em 6 de abril de 2015.

2. “Shape of You”, Ed Sheeran

Um dos fenômenos da música pop atual, Ed Sheeran lançou o clipe de “Shape of You” em 30 de janeiro de 2017 e, desde então, ele já tem mais de 3,87 bilhões de acessos.

1. “Despacito”, Luis Fonsi e Daddy Yankee

Apesar do nome da música, o vídeo de “Despacito” chegou rápido ao topo: foram menos de sete meses desde o seu lançamento, em 12 de janeiro de 2017. O clipe da música de Luis Fonsi e Daddy Yanke foi o primeiro a passar de 4 bilhões de visualizações e tem hoje mais de 5,65 bilhões de acessos.

Fonte:TecMundo

 

Google rebate críticas de Donald Trump sobre resultados de busca

Na manhã desta terça-feira (28), Donald Trump usou o Twitter para descarregar a sua ira contra o Google. Para o presidente dos Estados Unidos, a companhia manipula as buscas para priorizar resultados com críticas negativas ao seu governo. Mais tarde, o Google soltou um comunicado refutando as acusações.

Não é incomum Trump usar o Twitter para criticar veículos de imprensa ou serviços de mídia. Porém, nos últimos dias, essas manifestações têm sido mais frequentes. No início da semana, por exemplo, o presidente acusou as redes sociais de “silenciar milhões de pessoas”, uma aparente referência às ações do Facebook e Google para apagar contas que espalham desinformação ou interferem em eleições.

Com relação ao Google, Donald Trump declarou que 96% dos resultados do buscador para “Trump News” são de veículos nacionais de esquerda que, no seu entendimento, dão apenas informações falsas ou negativas. O presidente afirmou também que, ao mesmo tempo, notícias de veículos conservadores ou republicamos são suprimidos das buscas.

Trump não revelou detalhes sobre como chegou a essa conclusão, apenas deu a entender que irá tomar providências. O jornal The Guardian sugere, porém, que o presidente faz referência a uma pesquisa do site PJ Media que sugere que os 100 melhores resultados do Google News para “Trump” trazem “um padrão de preconceito contra conteúdo de direita”.

Se de modo suficiente ou não, companhias como Google e Facebook vêm promovendo esforços para evitar a disseminação de notícias falsas em seus serviços. É natural, portanto, que queixas surjam por parte de quem se sente prejudicado com essas ações.

O que chama atenção no caso das reclamações contra o Google é que o presidente Trump parece não entender que os resultados são dinâmicos e, portanto, podem variar rapidamente em curtos intervalos de tempo ou de acordo com os hábitos de navegação de cada usuário, por exemplo.

Além disso, não raramente, os resultados exibem links para serviços de notícias como ABC, CBS, New York Times e Washington Post. Há tempos que esses e outros veículos despertam a antipatia do presidente.

De qualquer forma, o Google tratou de rebater as acusações:

“Quando os usuários inserem termos na busca do Google, nosso objetivo é garantir que eles recebam as respostas mais relevantes em questão de segundos. O mecanismo não é usado para definir uma agenda política e nós não influenciamos os resultados em prol de nenhuma ideologia política.”

 

 

Fonte: Tecnoblog

Senado aprova projeto de lei sobre proteção de dados pessoais

Brasil se junta a diversos países que já têm legislação sobre o tema

O plenário do Senado aprovou terça-feira (10) o Projeto de Lei número 53, da Câmara, que disciplina a proteção dos dados pessoais e define as situações em que estes podem ser coletados e tratados tanto por empresas quanto pelo Poder Público. O texto foi aprovado nos termos do conteúdo votado na Câmara dos Deputados no fim de maio.

Caso você não tenha lido nosso post sobre: REGULAÇÃO: COMO A GDPR INFLUENCIARÁ O TRATAMENTO DE DADOS NO BRASIL?

Com isso, o Brasil se junta a diversos países do mundo, que já possuem legislação sobre o tema. O projeto agora vai a sanção do presidente Michel Temer.

O texto disciplina a forma como as informações são coletadas e tratadas, especialmente em meios digitais, como dados pessoais de cadastro ou até mesmo textos e fotos publicadas em redes sociais. A proposta foi mantida na semana passada pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), conservando o conteúdo da Câmara e indicando regime de urgência para votação na casa. A urgência foi apresentada em plenário, mas não chegou a ser apreciada.

O senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), relator do projeto na Comissão de Assuntos Econômicos, destacou que a regulação do tema já é uma realidade no resto do mundo. “Mais de 100 países já colocaram de pé leis e diretrizes de proteção de dados no ambiente da internet. A internet não pode ser ambiente sem regras. A privacidade é um valor civilizatório”, salientou.

O senador Eduardo Braga (MDB-AM), nomeado relator em plenário, defendeu a importância da proposta. “Na era digital dados são considerados grande ativo e patrimônio. Dados devem receber grau mínimo de proteção jurídica. Dados trafegam pelas redes e sem consentimento acabam sendo comercializados, em contraposição aos preceitos constitucionais, que garantem o direito à vida privada”, comentou.

“Todas as entidades, sem nenhuma exceção, foram partícipes na construção do projeto de lei e estamos votando algo que é uma unanimidade”, afirmou a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM). “Estamos vivendo a revolução das redes sociais. Agora vamos ter marco regulatório que permite que cidadão possa acionar aqueles que fizerem mau uso de seus dados”, acrescentou o senador Jorge Viana (PT-AC).

Entenda o projeto

O PLC 53 considera dados pessoais a informação relacionada a uma pessoa que seja “identificada” ou “identificável”. Ou seja, o projeto de lei regula também aquele dado que, sozinho, não revela a quem estaria relacionado (um endereço, por exemplo) mas que, processado juntamente com outros, poderia indicar de quem se trata (o endereço combinado com a idade, por exemplo).

Foi criada uma categoria especial, denominada dados “sensíveis”, que abrange registros de raça, opiniões políticas, crenças, condição de saúde e características genéticas. O uso desses registros fica mais restrito, já que traz riscos de discriminação e outros prejuízos à pessoa. Também há parâmetros diferenciados para processamento de informações de crianças, como a exigência de consentimento dos pais e a proibição de condicionar o fornecimento de registros à participação em aplicações (como redes sociais e jogos eletrônicos).

O projeto de lei abrange as operações de tratamento realizadas no Brasil ou a partir de coleta de dados feita no país. A norma também vale para empresas ou entes que ofertem bens e serviços ou tratem informações de pessoas que estão aqui. Assim, por exemplo, por mais que o Facebook recolha registros de brasileiros e faça o tratamento em servidores nos Estados Unidos, ele teria de respeitar as regras. Também é permitida a transferência internacional de dados (como no exemplo citado), desde que o país de destino tenha nível de proteção compatível com a lei ou quando a empresa responsável pelo tratamento comprovar que garante as mesmas condições exigidas pela norma por instrumentos como contratos ou normas corporativas.

Ficaram de fora das obrigações o tratamento para fins pessoais, jornalísticos e artísticos. Também não são cobertos o processamento de informações em atividades de segurança nacional, segurança pública e repressão a infrações. O texto indica que esses temas devem ser tratados em uma lei específica. O Poder Público ganhou também a possibilidade de tratar dados sem consentimento das pessoas, em determinadas situações, como na execução de políticas públicas. Para isso, o órgão deve informar em seu site em que hipótese o processamento de dados é realizado, sua finalidade e quais são os procedimentos adotados. Essas regras especiais se aplicam também aos cartórios.

Obrigações e direitos

Para coletar e tratar um dado, uma empresa ou ente precisa solicitar o consentimento do titular, que deve ser livre e informado. Essa autorização deve ser solicitada de forma clara, em cláusula específica, e não de maneira genérica. Caso uma empresa colete um dado para uma coisa e mude sua finalidade, deve obter novo consentimento. A permissão dada por alguém, entretanto, pode ser revogada se o titular assim o desejar.

O projeto prevê, contudo, algumas situações em que este não é necessário, como a proteção da vida, o cumprimento de obrigação legal e procedimento de saúde. A exceção mais polêmica é chamada de “legítimo interesse”, que na prática permite a uma empresa coletar um dado para um propósito e usá-lo para outro, desde que para “finalidades legítimas” e a “partir de situações concretas”. Nesse caso, somente os dados “estritamente necessários” podem ser manejados.

Outra obrigação das empresas incluída no relatório do deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) é a garantia da segurança dos dados, impedindo acessos não autorizados e qualquer forma de vazamento. Caso haja algum incidente de segurança que possa acarretar dano ao titular da informação, a empresa é obrigada a comunicar à pessoa e ao órgão competente.

A redação prevê uma série de direitos ao titular, que pode solicitar acesso às informações que uma empresa tem dele – incluindo a finalidade, a forma e a duração do tratamento – e se houve uso compartilhado com algum outro ente e com qual finalidade. Também é possível requisitar a correção de um dado incompleto, a eliminação de registros desnecessários ou excessivos e a portabilidade para outro provedor de serviço. Ou seja, o usuário de uma conta de e-mail pode ter todas as suas mensagens, caso deseje abrir conta em outro serviço deste tipo. O titular também pode solicitar a revisão de uma decisão automatizada baseada em seus dados, como uma classificação para obtenção de crédito, por exemplo.

Fiscalização e órgão regulador

O relatório de Silva propõe a criação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados, que ficará responsável pela edição de normas complementares e pela fiscalização das obrigações previstas na lei. Essa autoridade terá poder, por exemplo, para exigir relatórios de impacto à privacidade de uma empresa, documento que deve identificar como o processamento é realizado, as medidas de segurança e as ações para reduzir riscos. Ou seja, se o órgão suspeitar que em alguma empresa há risco de problemas no tratamento dos dados, o relatório reúne informações necessárias para uma primeira apuração. Pode também fazer uma auditoria, em que se verifique no local da empresa se o manejo dos dados está sendo realizado corretamente.

Se constatar alguma irregularidade em qualquer atividade de tratamento, a autoridade pode aplicar uma série de sanções, entre as quais está prevista multa de até 2% do faturamento da empresa envolvida, com limite de R$ 50 milhões, o bloqueio ou eliminação dos dados tratados de maneira irregular e a suspensão ou proibição do banco de dados ou da atividade de tratamento. O substitutivo também institui o Conselho Nacional de Proteção de Dados, formado por 23 representantes do Poder Público, da sociedade civil, de empresas e de instituições científicas e tecnológicas. O colegiado tem como atribuições propor diretrizes estratégicas sobre o tema e auxiliar a autoridade nacional.

Apoios

O PLC tem apoio de diversas entidades, como a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert), a Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) e a Coalizão Direitos na Rede, que reúne entidades de defesa de direitos dos usuários de internet. Mas encontrava resistência em organizações do ramo financeiro, como a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e a Confederação Nacional de Seguradoras.

“Este projeto é fundamental para o desenvolvimento da economia digital no Brasil porque ele alcança equilíbrio entre a proteção do direito do cidadão em um arcabouço que ajude as empresas a inovarem”, avaliou a diretora jurídica da Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom).

“Essa discussão contou com dezenas de entidades da sociedade civil mas também com inúmeras entidades do setor empresarial, que entenderam que a proteção de dados é princípio que deve ser garantido na legislação brasileira”, comentou Marcos Urupá, do Coletivo Intervozes, entidade integrante da Coalizão Direitos na Rede, que reúne organizações de defesa de direitos dos usuários.

Fonte: Agência Brasil

Pesquisa sobre fake news: como os brasileiros lidam com notícias falsas

A questão das fake news vem ganhando cada vez mais destaque no Brasil e no mundo. Há quem atribua os resultados das eleições norte-americanas e francesas à disseminação de fake news. Exagero ou não, a preocupação com o impacto que ela pode ter nas eleições brasileiras já foi tema de discussão no TSE e nos principais veículos da imprensa nacional.

Um estudo realizado pelo jornal Folha de S. Paulo em fevereiro deste ano mostrou que, no mês anterior, páginas de notícias falsas engajaram cinco vezes mais do que as de jornalismo nas redes sociais.

O tema é delicado e requer atenção. Deve ser discutido com seriedade e combatido à exaustão, já que as fake news nada mais são do que a disseminação de notícias falsas. Por isso, o Opinion Box, em parceria com o Digitalks, realizou uma pesquisa para saber o que os brasileiros pensam sobre fake news. Veja a seguir os resultados:

Internet como fonte de informação

Não é segredo para ninguém que a internet assumiu o protagonismo como fonte de informação. 76% dos internautas brasileiros utilizam sites, blogs e portais como fonte de leitura, acompanhamento e compartilhamento de notícias, e 74% usam as redes sociais. A título de comparação, a TV aberta é usada por 59%, o rádio por 33% e os jornais impressos por 23%.

7 em cada 10 entrevistados acreditam que a internet ajuda as pessoas a se informarem melhor, de uma forma geral. Por outro lado, 62% concordam que a internet contribui para espalhar informações falsas.

E as fake news?

65% dos entrevistados afirmam que sabem o que são fake news, e 18% já ouviram o termo mas não sabem o que significa.

Ainda assim, os internautas sabem também que as notícias falsas fazem parte do dia a dia. 37% dos internautas já compartilharam algo nas redes sociais ou no WhatsApp e depois descobriram que o conteúdo era falso. Destes, 57% apagaram o conteúdo e 29% desmentiram a informação.

E quando você se depara com um conteúdo fake na sua timeline, o que faz? 79% já perceberam que algum amigo ou parente havia compartilhado uma notícia falsa. Nesses casos, 46% avisaram a pessoa em particular sobre a falsidade do conteúdo, 38% comentaram na própria publicação e 15% não fizeram nada.

Além disso, 60% já teve contato com algum perfil fake. Destes, 61% denunciaram o perfil, 32% não fizeram nada e 7% entraram em contato pedindo que a pessoa deletasse o perfil.

Por fim, 8% admitiram já ter compartilhado uma fake news intencionalmente, seja por achar engraçado, porque gostaria que fosse verdade ou por não ter certeza absoluta de que era falsa.

Fake news e a confiabilidade nos meios

A questão da credibilidade das informações e dos veículos de comunicação em geral dividem opiniões. 33% dos entrevistados acham que as redes sociais têm mais notícias falsas do que verdadeiras, e 24% acham que têm mais notícias verdadeiras do que falsas.

34% concordam que a internet contribuiu para a queda da qualidade do jornalismo, mas 35% discordam dessa informação. E 29% acreditam que as informações divulgadas pelos meios de comunicação são confiáveis, enquanto a mesma parcela, 29%, acreditam que elas não são confiáveis.

Pensando especificamente em diferentes meios de comunicação, a TV é considerada um meio confiável por 60% dos internautas, e os jornais impressos e as revistas por 57%. 31% consideram os sites, redes sociais e blogs confiáveis, e apenas 16% confiam nas redes sociais.

Fake news: como combater

7 em cada 10 entrevistados acham que cada vez mais as pessoas têm compartilhado notícias falsas sem perceber. Por outro lado, ao falar de si mesmas, as pessoas se dizem muito atentas com a verificação do conteúdo. 8 em cada 10 afirmam que verificam as informações antes de postar em suas próprias redes sociais.

E de quem é a responsabilidade de verificar a veracidade de um conteúdo publicado? Aqui, as opiniões também divergem. 30% acham que a responsabilidade é de quem compartilha a notícia. 28% acham que a responsabilidade é do veículo que publica. Por fim, 25% acham que é das redes sociais onde as notícias são publicadas.

Informações técnicas sobre a pesquisa

A pesquisa sobre fake news foi realizada no início de março deste ano com 2.016 internautas de todas as regiões do Brasil. O nível de confiança da pesquisa é de 95% e a margem de erro é de 2,2pp.

 

Fonte: OpinionBox

Quem tem medo do Big Data?

O tamanho assusta, mas quem ganhou confiança já entendeu que os dados são o melhor amigo dos jornalistas e das empresas.

A Zeeng é destaque na matéria de capa da revista Negócios da Comunicação. A matéria questiona: Quem tem medo do Big Data?
A reportagem apresenta a Zeeng como Plataforma que auxilia as empresas na análise de dados para a criação de estratégias de negócios e pode ser conferida na íntegra através do link: http://portaldacomunicacao.com.br/revistas/

 

A eleição das fake news

À medida em que nos aproximamos das eleições gerais, cresce a expectativa de que a escolha de um novo presidente, legitimado pelas urnas, nos tire da confusão política em que nos metemos.

Lá se vão quatro anos de reviravoltas, crises, protestos e polarização. Um clima que, convenhamos, ninguém mais tem paciência. Um governo minimamente viável, um líder capaz de comunicar-se com a maior parte dos cidadãos, que construa uma base no Congresso estável o suficiente para conduzir o país. Não é pedir muito. Mas nesse 2018 imprevisível não se pode descartar que as cosias piorem. Porque elas sempre podem piorar. Jornalistas, analistas, partidos políticos e até o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estão preocupados com o ambiente em que se dará o processo eleitoral.

Num ecossistema de mídia em que quase todos podem, além de informar-se, informar, o eleitor decidirá em quem votar no meio de um verdadeiro tiroteio. Além das notícias produzidas e veiculadas por jornalistas e veículos profissionais, agora integram a agenda eleitoral todo tipo de manifestação registrada e publicada em meios digitais. Todo esse problema foi compactado no termo da moda: as fake news, ou notícias falsas.

Há, sim, grupos e empresas obscuras prontos para atuar a favor e contra candidatos, fabricando fatos e disseminando-os online. Mas também há muita falsidade naquilo que cidadãos descuidados, ou pouco preocupados com a qualidade da informação, repassam a amigos, familiares e colegas de trabalho. O exercício da democracia exigirá mais esforço de cidadãos e de candidatos em 2018. Será necessário lançar mão de tecnologia, de sistemas inteligentes para encontrar sentido na imensidão de informações imprecisas, descontextualizadas ou apenas mentirosas.

Candidatos terão de investir em inteligência, em meios mais ágeis e eficientes de diagnosticar o sentimento do eleitorado durante a campanha. E no monitoramento das fake news, que podem ser mais danosas que uma reportagem bombástica do Jornal Nacional. Por outro lado, também serão imprescindíveis fontes qualificadas de informação. E os cidadãos têm parte na missão de selecioná-las.

Desse esforço em mão dupla pode resultar uma atmosfera política menos beligerante, que faça do Brasil um país melhor para se fazer negócios, criar filhos, projetar um futuro. Só não se pode perder de vista a chance de que as coisas piorem. Porque podem piorar.

Post escrito por Evandro de Assis, Jornalista e Pesquisador.

Ascensão do big data impacta o jornalismo (e a democracia)

Lidar com grandes volumes de informação sempre foi um desafio para jornalistas. Apuração, filtro e análise de dados integram o cotidiano desses profissionais. Por isso, quando ferramentas e métodos apoiados em tecnologias digitais potencializam o uso de dados na ciência, no marketing, na gestão de negócios e em políticas públicas, o jornalismo não poderia ficar de fora.

Há até um ramo específico da profissão que vem se ocupando de big data. É o “jornalismo de dados” ou ainda a “reportagem com auxílio do computador”. São rótulos para explicar práticas novas, mas que significam, na verdade, uma reafirmação do papel e da utilidade do jornalismo numa sociedade democrática.
No Brasil, o jornalismo apoiado em grandes quantidades de dados ganhou impulso em 2011, com a Lei de Acesso à Informação. A partir dela, órgãos e gestores públicos estão obrigados a divulgar todo e qualquer dado, exceto aqueles considerados sigilosos. Transparência passou a ser regra, e não exceção.
Com isso, gradativamente os portais públicos vêm ofertando enormes volumes de informações sobre contratos, licitações, remuneração de servidores, gastos com diárias, combustível etc. Qualquer cidadão tem acesso a tudo isso, mas poucos dispõem de tempo e expertise necessários para compreender as entrelinhas das infindáveis planilhas. Aí que entram os jornalistas, profissionais responsáveis por, entre outras coisas, fiscalizar o comportamento de gestores e o bom uso do dinheiro dos contribuintes.
Porém, como tudo ainda é recente, são poucos os profissionais que dominam as técnicas para se lidar com dados. A maior parte do vocabulário e das ferramentas adotados por especialistas e entusiastas de big data seguem inacessíveis a repórteres e editores de jornais, rádios, TVs e portais. No Brasil, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji)  e o Knight Center for Journalism in the Americas vêm desempenhando papel importante na formação de jornalistas de dados. Mas ainda vai levar um bom tempo até que a cultura do big data contamine as redações.
Um passo importante para acelerar esse processo é aproximar jornalistas e profissionais de big data. Compartilhar conhecimento técnico em iniciativas como reportagens ou projetos específicos de fiscalização. Espero que este espaço cedido pela Zeeng para discutir jornalismo ajude a estabelecer essa conexão.
Nós jornalistas precisamos de ajuda. Se você tem tempo e conhecimento técnico, engaje-se. A democracia agradece.
Post escrito por Evandro de Assis, Jornalista e Pesquisador.